Mais controle e transparência: novas regras redesenham pagamentos internacionais no Brasil
Novas regras do Banco Central colocam segurança e transparência no centro dos pagamentos internacionais. Comprar em sites estrangeiros, contratar serviços fora do país ou enviar recursos para o exterior tornou-se parte da rotina de muitos brasileiros. Por trás de operações que parecem simples para o consumidor, porém, existe uma estrutura financeira cada vez mais regulada. […]
Novas regras do Banco Central colocam segurança e transparência no centro dos pagamentos internacionais.
Comprar em sites estrangeiros, contratar serviços fora do país ou enviar recursos para o exterior tornou-se parte da rotina de muitos brasileiros. Por trás de operações que parecem simples para o consumidor, porém, existe uma estrutura financeira cada vez mais regulada.
A Resolução BCB nº 561, publicada pelo Banco Central em abril de 2026, atualiza as regras aplicáveis ao serviço de pagamento ou transferência internacional, conhecido como eFX. A norma entra em vigor em 1º de outubro e estabelece novos critérios para as instituições que atuam nesse mercado.
Para Marina Alves, CEO da Brazil Pays, o movimento mostra o amadurecimento de um mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos.
“O consumidor quer fazer um pagamento internacional com a mesma facilidade com que realiza uma operação no Brasil, mas essa simplicidade precisa estar sustentada por uma estrutura segura, transparente e em conformidade com as regras”, afirma Marina.
Entre as mudanças está a determinação de que o serviço eFX seja prestado por categorias específicas de instituições autorizadas pelo Banco Central. Prestadores que ainda não estejam enquadrados nas novas exigências terão regras de transição e, em determinadas situações, deverão solicitar autorização ao BC até maio de 2027.
Na prática, a mudança aumenta a responsabilidade das empresas que participam da movimentação de dinheiro entre Brasil e exterior.
“Quando a regulação evolui, todo o setor precisa evoluir junto. Isso significa investir em tecnologia, controles, rastreabilidade e processos capazes de oferecer segurança sem tornar a experiência do cliente complicada”, explica a CEO da Brazil Pays.
O que muda para quem compra no exterior
O eFX está presente em situações bastante próximas do consumidor. Segundo o Banco Central, o serviço pode ser utilizado para pagamentos de compras no exterior, contratação de serviços internacionais e transferências internacionais de recursos.
A nova regulamentação também exige informações mais detalhadas ao BC e prevê o uso de contas segregadas destinadas ao trânsito dos recursos de clientes de eFX, reforçando mecanismos de supervisão e proteção.
Para Marina Alves, o consumidor provavelmente perceberá menos a complexidade regulatória do que as empresas responsáveis pela operação.
“Para quem está comprando, o ideal é que tudo continue parecendo simples. A grande transformação acontece nos bastidores, onde haverá cada vez mais controle sobre como o dinheiro entra, circula e chega ao seu destino”, diz.
O ambiente envolvendo ativos virtuais também passa por maior formalização. O Banco Central já incorporou determinadas operações internacionais com ativos virtuais ao mercado de câmbio e estabeleceu obrigações específicas de prestação de informações. Portanto, não se trata simplesmente de uma proibição das criptomoedas, mas de um movimento mais amplo para trazer essas operações para dentro de uma estrutura regulatória definida.
“A tecnologia pode mudar a maneira como um pagamento acontece, mas não elimina a necessidade de saber quem está movimentando os recursos, qual é a finalidade da operação e quais responsabilidades existem em cada etapa”, observa Marina.
A Resolução 561 também permite operações eFX relacionadas a investimentos nos mercados financeiro e de valores mobiliários, no Brasil ou no exterior, limitadas ao equivalente a US$ 10 mil.
Para a Brazil Pays, o avanço regulatório acompanha uma transformação maior na maneira como brasileiros se relacionam financeiramente com outros países.
“O futuro dos pagamentos internacionais será construído pela combinação entre facilidade para o usuário, tecnologia e conformidade. Quem conseguir reunir esses três elementos estará preparado para um mercado cada vez mais conectado”, conclui Marina Alves.
